De 21 a 23 de abril, o CEPAG – Centro de Estudos Paraguaio Antonio Guasch sediou o encontro presencial do Grupo de Trabalho do Sistema Participativo de Garantias (SPG) da Comparte, uma iniciativa que fortalece os processos de transição agroecológica promovidos por centros sociais da rede. Participaram oito representantes de sete centros sociais que desenvolvem o SPG em seus territórios: ASERJUS, ACLO, SCVX, Suyusama, CIPCA Peru e CEPAG, além de Claudia Ruiz, secretária executiva da rede.
Os três temas principais do encontro foram: sustentabilidade, articulação e formação. O programa enfatizou o trabalho a partir da prática, conhecendo experiências de campo que evidenciam como os SPGs estão vivos nos territórios, liderados por homens e mulheres camponeses e indígenas comprometidos com o bem comum, a organização comunitária e a defesa da casa comum.
Experiências inspiradoras do território
Durante os encontros, foram visitadas diversas experiências:
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A Associação de Feirantes Kokue Poty de Lima (AFEKOPOL), composta por 7 mulheres e 12 homens produtores/as.
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A parcela de Don Aquiles Fernández, supervisor do SPG promovido pelo CEPAG.
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A fazenda de Arsenio Martínez e Angélica Duarte, modelo de produção familiar.
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A fazenda de Marino Cañete, produtor e mestre comprometido com práticas agroecológicas.
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A loja Teko Katu, iniciativa de comercialização direta gerida pelo CEPAG.
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A Associação de Produtores Orgânicos (APRO), aliada chave do CEPAG na consolidação do SPG.
Essas visitas permitiram observar como a agroecologia é vivida no dia a dia e como as mulheres assumem um papel central como líderes em cooperativas, lojas, espaços organizativos e processos de formação.
Reflexão, articulação e aprendizados compartilhados
Em uma segunda etapa do encontro, aprofundou-se a análise coletiva sobre a sustentabilidade integral dos processos de transição agroecológica. Destacou-se a importância de que a formação, a governança participativa, o enfoque de gênero e a espiritualidade sejam pilares transversais nos SPGs. Também foram compartilhados os avanços na estrutura de governança, o papel estratégico das Escolas de Agroecologia e SPG e a necessidade de sustentar uma visão integral que harmonize o técnico, o organizativo, o formativo e o humano.
Desafios e compromissos para 2026-2027
O encontro concluiu com a construção de um Plano de Trabalho 2026–2027, que reforça o compromisso coletivo de seguir caminhando juntos/as. Entre os principais desafios identificados, destacam-se:
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Fortalecer a governança autônoma dos SPGs.
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Melhorar o acompanhamento e avaliação com base em indicadores técnicos.
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Impulsionar processos de pesquisa e sistematização.
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Garantir a sustentabilidade integral dos sistemas.
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Incluir ativamente os consumidores como sujeitos essenciais dentro dos Circuitos Econômicos Solidários Interculturais.
Esses aprendizados ficaram refletidos nos depoimentos dos participantes, como o de Cosme Rigoberto, do SCVX (El Salvador) e Marcos Gómez, do Suyusama (Colômbia), que compartilharam suas impressões sobre o valor do encontro:
Um encontro cheio de sabor, cultura e esperança
Além da troca técnica e organizativa, este espaço foi também uma celebração do sabor, cor e cultura dos povos. Um momento para fortalecer os laços de irmandade, renovar o compromisso com a transformação socioambiental e reafirmar que outro mundo é possível quando se caminha em comunidade, com equidade e justiça.
